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Mas eu sou como uma oliveira que floresce na casa de Deus; confio no amor de
Deus para todo o sempre. Salmo 52:8

quarta-feira, 26 de março de 2014

Esclarecimento...

Infelizmente em meio a tantos comentários carinhosos e positivos, tive o desprazer de ler hoje um comentário anônimo no blog cheio de veneno, ignorância e grosseria, de alguém me chamando de louca de pedra por ter esperado o trabalho de parto para que o Benjamin nascesse, me acusando de ter colocado a vida dele em risco, mesmo depois de já ter perdido uma filha, por ter esperado a bolsa estourar e ter dilatação!

Em momento algum coloquei a vida do meu filho em risco. Entrar em trabalho de parto e ter a bolsa rota naturalmente por algumas poucas horas não colocam a vida de um bebê saudável em risco, ao contrário, fazem muito bem para o bebê e para a mãe, por isso escolhi esperar por isso! Inclusive tive que pagar a parte pela assistência de meu médico por escolher fazer a cesariana fora de um horário agendado, mas sim no horário que nosso filho escolheu para nascer. 

Quando a mulher entra em trabalho de parto, são liberados em seu corpo hormônios que ajudam no amadurecimento do bebê, preparando-o para o nascimento, quando terá que respirar por conta própria, mamar, manter a temperatura corporal, etc. O trabalho de parto também é a forma mais segura e certa de saber que um bebê está realmente pronto para nascer. Havendo o devido acompanhamento e o bebê estando bem - que foi o nosso caso desde o início, não há porque se preocupar.

Benjamin, filho da felicidade



Porque a seus anjos ele dará ordens a seu respeito, para que o protejam em todos os seus caminhos; Ele clamará a mim, e eu lhe darei resposta, e na adversidade estarei com ele; vou livrá-lo e cobri-lo de honra. Vida longa eu lhe darei, e lhe mostrarei a minha salvação. Salmos 91:11; 15-16



O Senhor te guardará de todo o mal, Ele protegerá a tua vida! Estarás  sob a proteção do Senhor, ao saíres e ao voltares, desde agora e para todo o sempre! Salmos 121:7-8







Queridos amigos,

Com muita alegria (e vários dias de atraso) compartilho com todos que nos acompanham aqui pelo blog o nascimento do nosso segundo e amado filho Benjamin.

Ele nasceu em uma ensolarada manhã de domingo, no dia 23 de fevereiro às 7h33min, pesando 3.355 kg e medindo 49 cm. É um menino muito saudável, tranquilo e feliz! Nesse seu primeiro mês de vida já pudemos curti-lo muito e nos surpreender com sua personalidade.

É tranquilo mas, como todo bebê, muito esfomeado, como se o mundo fosse acabar de uma hora para outra quando lhe surge a fome. Graças a isso já ganhou bastante peso e duas bochechas bem fofinhas. Dorme bastante, mas às vezes fica hiper estimulado e nos dá um belo trabalho para relaxar e dormir. Adora tomar banho, é super calorento e dorme quase sempre com as mãozinhas no rosto - exatamente como ficava dentro do útero.

Como ele estava em posição pélvica (sentado), após pesquisar bastante e pesar prós, contras e as principalmente nossas possibilidades (financeiras, emocionais, físicas), já no final da gestação optamos por ao menos esperar o trabalho de parto espontâneo para então realizar uma cesariana, com a intenção de respeitarmos o tempo que ele havia escolhido para nascer.  (o parto normal pélvico é possível porém realizado por pouquíssimos profissionais por ser um parto um pouco mais complexo que exige algumas manobras). 

O que aconteceu (o trabalho de parto) às 3h da manhã, quando após algumas cólicas fraquinhas durante o dia, ele começou a mexer bastante à noite até que a bolsa estourou e foi uma verdadeira aventura. Contrações fortíssimas a cada 5 minutos em plena madrugada indo para São Paulo, e todas as maternidades lotadas por conta das cesarianas agendadas devido à proximidade do feriado de Carnaval.

Acabamos sendo atendidos na maternidade Santa Joana, onde surgiria vaga em um quarto somente na manhã seguinte, mas já seríamos encaminhados para o centro cirúrgico. Todo essa maratona durou quatro horas de contrações intensas que me renderam 6 cm de dilatação, quando então nosso amado menino nasceu por uma cesariana, com 39 semanas de gestação. 





Ele nasceu de bumbum, já fazendo acrobacias, com as duas pernas para o alto estendidas até a cabeça, fazendo xixi nas enfermeiras e logo ouvimos um choro muito doce, manso e suave.

Uau! Uma nova vida! Deus está confiando a mim a responsabilidade de cuidar de um novo ser, uma nova criação, meu filho amado. Obrigada, Senhor, por esta vida!

Logo ouvimos que tudo estava bem e ele foi entregue nos braços do papai, que nos colocou face a face, eu toda envolta em panos azuis e eletrodos, de óculos e com um sorriso lardo de alegria e gratidão. Assim que tocou meu rosto e ouviu minha voz, o seu chorinho cessou e ele ficou em silêncio prestando atenção: "Bem-vindo, Benjamin, nós te amamos! Que Deus te abençoe!"

Já em silêncio, sua boquinha em contato com meu rosto começou a esboçar um beijo, e outro beijo em minha bochecha, e ficamos ali alguns instantes infinitos conversando e trocando carinhos somente com nossas faces e nossas almas. Tivemos que seguir todo o protocolo da maternidade (críticas a todos estes protocolos rendem um capítulo a parte), mas após algumas horas ele estava finalmente em meus braços, no quarto à meia luz, mamando lindamente, um menino super esperto, atento e tranquilo.



Tive uma recuperação imediata muito melhor do que na cesariana da Vitória, acredito que a oxitocina, o "hormônio do amor", liberada no trabalho de parto fez muito bem a mim e a ele, apesar da recuperação dolorida e desajeitada dessa cirurgia.

Após quatro dias viemos para casa - eu com lágrimas nos olhos com ele nos braços - agradecendo a Deus e também lembrando saudosamente da nossa menina - de tudo que vivemos com ela e também do que não pudemos viver - ou não mais poderemos. Saudades, lembranças, aprendizados, gratidão, saudade.









Tinha uma pedra no meio do caminho (ou da vesícula...)

Ainda na maternidade comecei a sentir uns desconfortos digestivos, que pensei fazerem parte do processo natural de recuperação. Mas esse desconforto, dores e gases persistiram por vários dias depois. Pensei então que fosse efeito colateral do anti-inflamatório que precisei tomar por causa da cesariana, e também o processo normal do puerpério, dos órgãos todos "voltando pro lugar". Tentava colocar a cinta pós-parto e me sentia pior. Por vezes não tinha vontade de comer, e quando comia sentia náuseas e desconforto. 

Já estava pensando que algo não ia bem, que ia precisar marcar consulta com um gastro, quando segunda-feira da semana passada, no início da noite, tive uma crise fortíssima de algo que parecia ser dor de estômago. Estava sozinha em casa com o Benjamin, ele acordado querendo colo, uma confusão. Depois fiquei com o lado direito do abdômen todo dolorido quase sem conseguir andar de dor. Marcelo chegou em casa e fomos ao Pronto Socorro, onde acabamos passando a madrugada (rende mais um capítulo a parte como tudo aconteceu). Mas para resumir descobri que estava com a vesícula inflamada devido à formação de uma pedrinha em seu interior. Problema que, descobri somente agora, é extremamente comum em mulheres após a gestação e se agrava quando ingerimos alimentos gordurosos (tanto gorduras saudáveis como não saudáveis), o que também acaba sendo mais comum no período da gestação e amamentação.

A princípio ia fazer a cirurgia de remoção da vesícula, mas justo na hora da operação caiu um temporal que acabou com a luz no hospital e o procedimento teve que ser adiado. Resultado: fiquei três dias internada recebendo antibióticos EV - e separada do nosso amado bebê - para então receber alta com um tratamento de antibióticos por via oral e uma dieta hipogordurosa (com o mínimo possível de gorduras) além de observação para ver se as dores melhoram e podemos deixar essa cirurgia para daqui a alguns meses. Ainda assim, ainda não estou 100%, mesmo com muitos cuidados na alimentação a digestão ainda não está legal e ainda sinto algumas dores leves.

Após ouvir vários comentários de pessoas que fizeram ou não esta cirurgia, concluí que é melhor orar e pedir a Deus que nos conduza para o melhor para mim e para nosso filho. Por favor, orem por nós!

Felizmente seguimos muito bem com a amamentação apesar de todos estes percalços.

Assim que as coisas se acalmarem, (se algum dia nos próximos 20 anos elas vão se acalmar kkk) tentarei parar para contar em mais detalhes como foi o nascimento dele e nossas mais recentes aventuras!

Desculpem a demora em postar notícias!
Beijos e fiquem com Deus!

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Quatro anos que nossa princesinha nasceu!


"Encontrei um paradoxo, que se você amar até doer, não poderá haver mais dor, somente amor". Madre Teresa de Calcutá



"A presença de um filho é uma bênção. Mas o que mais importa é que ele esteja no caminho dele".

Entendi que uma mãe um dia precisa dizer: "Vai", e se contentar com a ida do filho, que não nasceu para ela, mas para o mundo. Agora isso não é simples, é dramático. Às vezes, me parece que a função materna é uma missão impossível. Num primeiro momento, precisa estar inteiramente disponível, presente. Depois, precisa oferecer a ausência". 
Betty Milan, psicanalista e autora do livro Carta ao Filho (em entrevista para a revista Pais e Filhos, jul/2013).



Hoje comemoramos o aniversário de quatro anos da nossa amada princesinha. Que saudade! Meu Deus, quanta saudade daquela menina tão linda, doce, corajosa e cheia de vida! Saudade da sua pele macia, da sua vozinha suave, do seu jeito delicado... Saudade dos cuidados que lhe ofereci durante toda a sua vida, da sua presença marcante que nos acompanhou desde sua gestação, de todas as aventuras, batalhas e vitórias que vivemos juntas. Saudade de tudo que foi vivido tão intensamente, e que agora virou a história de nossas vidas.


Sinto-me em paz. Dei o melhor de mim. Dei tudo de mim. O que tinha e o que não tinha, o possível e o impossível pelo seu bem. Eu a amei com todas as minhas forças e estive ao seu lado em todos os momentos. Não fui perfeita. Tive muitos momentos de medo, de dúvidas, me atrapalhei muitas vezes como toda mãe... Mas dei o meu melhor, sempre buscando o melhor para ela. Vivi a maternidade linda e intensamente com minha primeira filha e me realizei muito. Fui mãe com todos os meus poros. Tivemos momentos de tanta cumplicidade, de tanto amor e plenitude. Vivemos sentimentos tão bonitos e intensos como talvez poucas pessoas chegam a experimentar em décadas de relacionamento. Faria tudo de novo se fosse preciso. Cuidaria dela durante toda a minha vida se assim Deus pedisse. Mas sinto-me em paz, pois sei que foi tudo como tinha que ser. Ela viveu o seu tempo perfeito conosco, o tempo que Deus planejou, que nos concedeu, e descansou merecidamente. 


Sinto sua falta, mas me alegro na certeza de que ela está bem junto de Jesus. Gostaria muito que ela estivesse conosco vivendo todas as alegrias e preparativos para a chegada de seu irmãozinho. Gostaria de tê-la ao meu lado durante esta gestação, de poder abraçá-la naqueles momentos em que toda grávida fica sensível e chora à toa... era tão bom abraçá-la, beijá-la e segurar sua mãozinha quando eu me sentia triste por qualquer motivo. Ela era uma grande amiga e companheirinha! 


A vida segue... e esta semana estou aqui com os preparativos para o chá de bebê do Benjamin, e também organizando o seu enxoval e seu quartinho. Nos mudamos em setembro, e semana passada finalmente tivemos a instalação de alguns armários e montagem do quarto do nosso filho (dias bem difíceis e cansativos para essa altura da gestação, mas também de muita gratidão). O berço da Vivi ficará para ele, assim como o carrinho, cadeirinha do carro e outras coisas maiores e de cores neutras. Não foi fácil na mudança desmontar o quarto da Vitória, encaixotar seus brinquedos, desmontar seu berço e me despedir daquele quartinho que a acolheu, onde durante 2 anos eu a coloquei para dormir todas as noites... e a encontrei todas as manhãs até seu último dia de vida aqui conosco.

Mas também tem sido uma alegria especial agora começar a montar o quarto do Benjamin, pensar na decoração para receber nosso amado menino. Ontem voltamos à casa da minha sogra (onde moramos nestes últimos anos) para buscar algumas coisas, e ao mexer em uma caixa encontrei guardadas as coisas de decoração que usamos nas festinhas dos seus dois aniversários, para ver o que poderia aproveitar no chá de bebê. Quanta coisa! Fiquei feliz ao ver como celebramos com tanta alegria e carinho cada um de seus aniversários quando ela estava aqui conosco. Mesmo em meio a muitas dificuldades, jamais deixamos de celebrar a vida.

Agora vamos celebrar a vida do Benjamin, a sua chegada, com o mesmo amor e alegria com que sempre fizemos tudo para a Vitória. Como aprendemos com ela sobre o valor de cada momento. Tudo é diferente, é outro filho, outra história, outro momento, novos sentimentos... mas o tempo todo nos lembramos da nossa gatinha, pensamos nela... fora a pergunta que ouvimos em todos os lugares: "é o primeiro bebê?" Não, não é! Tivemos uma filha linda que viveu conosco por 2 anos e meio... é uma longa e linda história, e este é nosso segundo filho. Estamos muito felizes!

Pouca gente entende... muitos sentem pena, outros nos acham meio loucos... mas temos muito orgulho de falar da nossa princesinha amada que nos fez tão bem e marcou nossas vidas para sempre.




Ontem também fomos ao cemitério e levamos flores para enfeitar seu túmulo. O jardim estava cheio de folhas secas, limpamos tudo que pudemos. Marcelo me ajudou a plantar as flores na terra para durarem mais, pois já estou com uma barriga enorme de 34 semanas! Sinto um misto de saudade e alegria ao olhar a sua fotinho em sua lápide, ver aqueles olhinhos cheios de vida e sapecas... a sua imagem está lá sempre a sorrir para nós... 

Sinto orgulho de ter sido sua mãe, de tê-la amado, de ter respeitado seu tempo e de tê-la deixado livre para partir para o seu voo de liberdade. 

Parabéns pequenina, você cresceu, você voou, você é livre! Nós te amamos muito, e sempre, sempre te amaremos. 

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Programa Freud Explica

Queridos amigos,

Amanhã participarei de uma entrevista no Programa Freud Explica da TV Geração Z, uma web tv, ao vivo entre 9h e 10h. Falaremos sobre a Vitória e todo aprendizado que ela nos trouxe em meio a desafios, alegrias e surpresas!

Quem quiser nos acompanhar, é só acessar o site http://www.tvgeracaoz.com.br/, a partir das 9h.






 >> Atualização: Abaixo vídeo do programa!



segunda-feira, 25 de novembro de 2013

27 semanas rumo a novas aventuras!



Meu coração está firme, ó Deus! Cantarei e louvarei, ó Glória minha! Salmos 108:1


Hoje fizemos mais um exame do pré-natal, o ecocardiograma fetal, e graças a Deus ouvimos que nosso amado Benjamin foi abençoado com um coraçãozinho saudável e forte! Fiquei mais uma vez emocionada e grata a Deus por esse lindo milagre e presente na vida do nosso filho.

O medo e o nervosismo sempre aparecem na hora dos exames, mas a lembrança de que ele pertence a Deus, e não a mim, e que Deus tem um propósito lindo e perfeito para sua vida me levam a encontrar novamente o caminho da confiança e da paz em meio à espera e todas as expectativas e receios.

Hoje também completo 27 semanas, entrando oficialmente no 3º trimestre! Barrigão cada vez maior, umbigo bem saltado pra fora, dores nas costas, se sentindo mais cansada... E o nível de dificuldade só aumenta para pegar as coisas no chão e fazer as arrumações na casa.

Mas também muito mais feliz e cheia de expectativas para a chegada no nosso amado menino. Recentemente ele começou a se mexer muito mais, tem sido um bebê super ativo e parece que fica bastante tempo acordado na barriga. Já responde mais aos estímulos e às conversas com o papai, e se faz presente o tempo todo no meu dia a dia.

Estou começando apenas agora a pensar no enxoval, quarto e chá de bebê. Nós nos mudamos em setembro para São Bernardo do Campo (o fator moradia é um capítulo a parte em nossa história, um dia ainda conto toda a nossa saga, lutas e desventuras nessa área) e agora estamos muito felizes com essa nova etapa. Mas ainda estamos fazendo arrumações na casa devido à mudança, então temos muito trabalho pela frente!

Demora um pouco para "mudar a chave" de nosso pensamento de que seremos pais de um menino, e deixar de lado as roupas rosinhas com lacinhos e florzinhas, mas estamos curtindo muito esse novo universo tão colorido e cheio de aventuras dos meninos.

Também ainda estou à procura de um bom obstetra para acompanhar o parto. Minha opção é pelo parto normal, da maneira mais humanizada possível, sem abrir mão da segurança do acompanhamento médico e do ambiente hospitalar. E esse não é um caminho fácil, pois hoje em dia todos os obstetras cobram valores bem altos somente para fazer uma cesariana de 40 minutos, mesmo via convênio, quanto mais para acompanhar um parto normal humanizado que pode levar horas. Sem falar que o sistema obstétrico no Brasil gira em torno da conveniência (para o médico e hospital) da cesariana, na maioria das vezes desnecessária. Entendo que a cesariana da Vivi foi importante devido à condição dela, mas foi tão difícil e dolorosa a recuperação, e realmente não queria passar por outra cirurgia sem que haja real necessidade.

Ainda não faço ideia de como faremos para conquistar esse atendimento de maneira acessível ao nosso orçamento, mas estou colocando tudo nas mãos de Deus e pedindo que Ele nos conduza sempre para o melhor e que coloque os profissionais certos no nosso caminho, como sempre fez com a nossa amada princesinha Vitória.


E assim seguimos em frente dando um passo de cada vez em nossa nova aventura...

Ótima semana a todos!

Ah, Benjamin está aqui mandando um oi para todos vocês, dando uns chutinhos na minha barriga!

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Por sua preciosa memória


Mas eu sou como uma oliveira que floresce na casa de Deus; confio no amor de Deus para todo o sempre. Para sempre te louvarei pelo que fizeste; na presença dos teus fiéis proclamarei o teu nome, porque tu és bom. Salmos 52:8-9


Já contei para vocês um pouco sobre como foram os momentos de despedida da nossa princesinha Vitória, quando seu corpinho foi devolvido a terra após sua partida para junto de Jesus.

É um assunto importante para nós e me sinto muito à vontade para falar sobre isso, embora tenha cuidado pois entendo que, para muitas pessoas, falar sobre estas questões que envolvem a morte pode ser um tanto difícil.

Para mim também sempre foi, mas lembro que tomar conhecimento de relatos trazidos por outras famílias de outras experiências de amor e cuidado para com seus filhos durante toda vida, até a morte foi muito importante. Pois quando chegou o nosso momento de despedida, estava um pouco mais preparada e, no lugar do desespero e pânico, busquei conferir a cada momento e a cada detalhe muito amor, dedicação e respeito à memória da nossa filha.

Da mesma forma, algo também muito importante para nós tem sido cuidar do local onde ela foi sepultada.

Sei que alguns pais que perderam seus filhos têm muita dificuldade em visitar o túmulo onde seus pequenos foram sepultados. Acho que isso deve ser respeitado e ninguém deve se sentir culpado em ter essa dificuldade. O mais importante é buscar, ainda em vida, dar o nosso melhor. A história pessoal de cada um e a forma como se deu essa despedida podem ter sido muito traumáticas e isso pode dificultar bastante o processo de luto que se seguirá. Como sempre, o intuito de dividir nossa experiência aqui é somente trazer nosso relato pessoal que, se pode ajudar alguém, sempre é válido.

O corpinho da nossa princesa foi sepultado em um túmulo da família do Marcelo, um túmulo que o avô dele, com muito esforço, comprou para enterrar o próprio pai, na década de 1950, no Cemitério de Campo Grande, em Santo Amaro, São Paulo. Muitos familiares dele foram enterrados neste mesmo local, até que ele mesmo veio a falecer e ali seu corpo descansou, em 2005.

Foi esse mesmo local que acolheu o corpo da nossa amada filhinha. Era um túmulo muito antigo e estava tudo bem desgastado, precisando de uma reforma urgente. Com menos de um mês do falecimento da nossa Vivi, voltamos até lá e lembro que me entristeceu bastante ver como estava tudo velho e desarrumado. Fomos nos organizando financeiramente e em dezembro contratamos uma pessoa para fazer uma pequena reforma, tudo muito simples, em cerâmica, mas para deixar esse importante local de memória de nossa família mais bonito.

Em janeiro, logo na semana que antecedeu seu aniversário de 3 anos, a reforma ficou pronta, e foi um alento ao nosso coração levar algumas flores para lembrar seu aniversário e ver que estava tudo bem mais bonito. Ainda faltava arrumar o jardim, mas só a reforma com a cerâmica já deu uma boa melhorada. Levamos uma linda cesta de flores bem grande, uma borboleta e um cata-vento da decoração dos seus aniversários de 1 e 2 anos. Era um dia cinzento e chuvoso, e com as flores o local ficou mais bonito e iluminado, o que me consolou neste dia que foi bastante triste e emotivo. Mas, para minha indignação e tristeza, voltamos uma semana depois, pois ainda foi feita uma movimentação no túmulo pelos funcionários do cemitério e tudo havia sido levado embora, as flores, as borboletas, o cata-vento. Não tenho nem como descrever o quanto fiquei triste e chateada com esse descaso dos funcionários!

Novamente nos organizamos e contratamos um jardineiro para arrumar o jardim do seu túmulo. Contamos a história da Vitória e o quanto ela foi especial, e o jardineiro se comoveu bastante, fez um jardim bem bonito. Porém o jardim que eles costumam fazer é apenas com plantas suculentas e umas flores que não parecem flores, mais resistentes, menos coloridas. Disseram que outras flores mais delicadas não vingariam, pois há muitas árvores no local e consequentemente pouco sol. Mesmo assim, lá fomos nós num domingo à tarde comprar umas mudinhas de calanchoê e uma pazinha de jardim e seguimos para o cemitério.


Com minhas próprias mãos e com muito carinho cavei a terra, plantei as mudinhas e reguei, na esperança de que elas ficassem bem naquele jardim tão importante para nós. Isso foi em abril, e quando voltamos lá em maio no Dia das Mães para levar mais algumas flores, lembro que alegrou meu coração ver as florzinhas ainda bem vivas e coloridas.




A próxima etapa foi mandar fazer uma placa com seu nome e uma fotinho sua. Finalmente em julho, antes do aniversário do seu falecimento, a placa ficou pronta! Fomos uma semana antes e para minha surpresa, além de a placa estar pronta, as flores estavam novamente cheias de botões. Não consegui ir no dia 17 pois seria nosso primeiro ultrassom para ver o Benjamin, mas lembro que foi um grande consolo, um ano após nos despedirmos, ver essa placa que resume em poucas palavras uma história de vida tão importante e bela como foi a dela. Também deixamos um vaso de flor e mais algumas mudas de calanchoê.


Em agosto, no Dia dos Pais, lembro que acordei de manhã me sentindo triste, com uma imensa falta dela e me sentindo tão desolada em não tê-la junto de mim para juntas irmos dar um abraço no papai. Então fomos novamente ao cemitério, levamos como sempre um vaso de uma flor bem bonita e ao chegarmos vimos o jardim bem florido, as calanchoês e a outra plantinha que havíamos levado super vivas e cheias de flores, tudo tão alegre e bonito.

Então pensei que, se ela não está mais aqui conosco, é porque está agora junto de Deus, num local que deve ser muito mais belo e florido do que esse nosso mundo tão desgastado e maltratado, um lugar mais lindo e alegre do que o mais belo jardim que possa haver nesse mundo. Se ela deixou seu corpinho terreno, que apesar de lindo também era imperfeito e fraco, foi para receber um novo, glorioso e perfeito corpo celestial, graças a Jesus.


Pedi ao jardineiro que plantasse as novas mudinhas que deixei lá, pois havia esquecido de levar a pá para plantá-las, além de que será pago um valor anual para manterem o jardim, e ele também havia dito que podíamos deixar as mudinhas para ele plantar. Devido à gestação, também achei melhor não me agachar para plantá-las. Mas na última vez que voltamos lá, para minha tristeza, vi que as novas mudas não tinham sido plantadas, e quando não tinham mais flores, foram levadas embora. O que novamente me deixou muito chateada!

Mas assim que possível voltaremos lá para plantar mais flores, também sempre as regamos, tiramos um pouco das folhas secas e levamos um vaso de flores para deixar tudo mais bonito.

Na última vez que fomos lá, mês passado, já era primavera e sobre o jardim estavam também muitas flores de paineiras, que nessa época do ano estão todas floridas e caem sobre o chão formando um lindo tapete rosado.




Isso me fez pensar também em como o tempo correu. Já se passaram quatro estações desde a sua partida. E novamente a terra está florescendo e a vida recomeçando.

Sempre que possível, durante minha vida, buscarei manter esse local de honra e memória à história da Vitória. Sei que ela não está ali, que ela está junto de Deus e para quem está junto de Deus, pouco importam estas coisas terrenas. Mas nós, que ficamos, mantemos esses locais de memória para nós mesmos, para acalentar o nosso coração.


Ali depositamos seu corpinho, que foi por nós gerado, que cresceu dentro de mim, que cuidamos e zelamos durante todo o tempo de sua vida. Esse corpinho lindo que ela recebeu de Deus por um tempo para viver conosco, e que foi um tempo muito feliz e importante, que deixou tantas marcas inesquecíveis. Quando chegou o tempo de voltar para Deus, esse corpo descansou e perdeu sua utilidade. E foi com o maior amor, cuidado e respeito que o enterramos, esse corpo onde sua alma tão doce e preciosa habitou. Uma parte de nós está ali e representa um grande tesouro que sempre carregaremos em nossos corações com muito orgulho: sermos seus pais e termos tido uma filha tão preciosa em nossas vidas.










Portanto, temos sempre confiança e sabemos que, enquanto estamos no corpo, estamos longe do Senhor. Porque vivemos por fé, e não pelo que vemos. Temos, pois, confiança e preferimos estar ausentes do corpo e habitar com o Senhor. 



Reportagem sobre a Vitória no SuperPop da RedeTv - Programa debateu sobre o aborto

Ontem o programa Super Pop da RedeTv abordou o tema do aborto, por ocasião do exibição do filme Blood Money - Aborto Legalizado, que está em cartaz em algumas capitais brasileiras.

Foi exibida uma linda reportagem sobre nossa história com nossa amada filha Vitória, como um exemplo de opção pela vida mesmo em caso de grave malformação.

Foi um debate muito produtivo e interessante, com participação da cantora Elba Ramalho, que fez um aborto na juventude e relata toda a dor e trauma que se seguiram, levando-a hoje a ser um grande defensora da vida. Ela realiza um importante trabalho social voltado para amparar mulheres jovens que querem abortar, orientando-as a aceitar o filho e conduzir a gestação.

O programa contou ainda com a presença da Profª e Drª em Biologia da UNB, Lenise Garcia, presidente do Movimento Nacional de Cidadania Pela Vida - Brasil Sem Aborto, falando sobre o aspecto científico da vida do embrião, ainda na gestação, e do ex-deputado federal Luiz Bassuma, autor do Estatuto do Nascituro e ativista pró-vida, além de outros convidados incluindo uma ativista pela legalização do aborto no Brasil.

O debate foi muito bem conduzido pela Luciana Gimenez, tratando um tema delicado e importante como esse com seriedade e cuidado. Vale a pena assistir!

Clique aqui para assistir ao vídeo que tem a nossa reportagem, diretamente no site da RedeTv. Para assistir ao programa inteiro desde o início, é só descer a página e clicar nos próximos vídeos.

(A propósito, alguém sabe me indicar um programa eficiente e seguro para que consiga baixar estes vídeos como do G1 e da RedeTV, que não disponiblizam seus vídeos no You Tube, para meu computador? Gostaria de guardar estas reportagens em meu arquivo, já que após alguns meses os links são retirados do ar).

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Benjamin!

Tu criaste o íntimo do meu ser e me teceste no ventre de minha mãe. Eu te louvo porque me fizeste de modo especial e admirável. Tuas obras são maravilhosas! Disso tenho plena certeza. Meus ossos não estavam escondidos de ti quando em secreto fui formado e entretecido como nas profundezas da terra. Os teus olhos viram o meu embrião; todos os dias determinados para mim foram escritos no teu livro antes de qualquer deles existir. Como são preciosos para mim os teus pensamentos, ó Deus! Como é grande a soma deles! Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece as minhas inquietações. Vê se em minha conduta algo que te ofende, e dirige-me pelo caminho eterno. 
Salmos 139:13-17; 23-24



Só ele cura os de coração quebrantado e cuida das suas feridas. Salmos 147:3


presentinhos dos tios Felipe e Thauana e da tia Mariana


Aleluia! Louve, ó minha alma ao Senhor. Louvarei ao Senhor por toda a minha vida; cantarei louvores ao meu Deus enquanto eu viver. Não confiem em príncipes, em meros mortais, incapazes de salvar. Quando o espírito deles se vai, voltam ao pó; naquele mesmo dia acabam-se os seus planos.
Como é feliz aquele cujo auxílio é o Deus de Jacó, cuja esperança está no Senhor, no seu Deus, que 
fez os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há, e que mantém a sua fidelidade para sempre! 



Benjamin. Esse é o nosso presente de Deus que está crescendo, guardado junto de mim para, logo mais, em fevereiro, estar conosco, descobrir o mundo, desbravar a vida. Será sempre muito amado e querido!

Ele já vive. Há 6 seis meses seu coraçãozinho bate forte, e ele cresce, se movimenta, vira pra lá e pra cá. Há algum tempo já sinto sua presença, no começo discreta, e cada vez mais marcante, com chutes, pulos, piruetas e sabe-se mais o que ele é capaz de fazer dentro da sua casinha de água, calor e aconchego materno.

Não é frequente, mas às vezes choro, e ele sente... Quando me alimento, lá está ele experimentando as sensações, sendo nutrido, e parece até que prefere alguns alimentos! Também se manifesta sempre que acordo ou vou deitar, fica se ajeitando e remexendo.

Em muitos aspectos essa nova gestação está sendo bem diferente. Mas alguns sintomas também já são conhecidos e não causam surpresa, afinal não faz tanto tempo assim que sua irmãzinha estava ali, nesta mesma casinha, crescendo envolvida em tanto amor, até cumprir toda a sua jornada, dentro e fora do útero. São irmãos, têm o mesmo sangue, vieram do mesmo ventre, e isso me faz amá-lo ainda mais.

Por um lado, confesso que não é fácil vivenciar uma nova gestação após perder um filho. Após receber um diagnóstico de grave malformação fetal. Após viver uma história tão intensa de amor, entrega, luta, dor e despedida. O coração fica um pouco cansado, arredio... Com medo de se entregar, de sofrer. Precisa reaprender a viver sem um pedaço muito importante, que faz muita, muita falta. 

Às vezes parece que a gente já está vivendo os extras da vida, o posfácio de uma longa história que já acabou. E ao mesmo tempo, por isso mesmo, é tão maravilhoso ter um novo filho. Lembro quando ouvi seu coraçãozinho batendo pela primeira vez, mesmo em meio aos traumas e medos do que poderia vir pela frente, um frescor de vida e esperança me envolveu em sorrisos: há vida novamente em mim! Estou recebendo mais uma vez o privilégio e a responsabilidade de ser guardiã de uma vida. Que mesmo tão pequena e completamente imprevisível, sei que é forte e já tem dentro de si muito potencial. Só precisa ter seu tempo respeitado e protegido. Apenas uma das muitas lições que sua irmã me ensinou.

Recebi novamente um passaporte para essa montanha russa de emoções da maternidade. E alguns traumas e medos estão lá, latentes. Mesmo quando a gente acha que já superou, que já aprendeu o caminho, quando a gente menos espera, eles, os medos, mostram suas garras e ficam atacando nossa mente, nos invadindo de preocupações, de ansiedade. Às vezes parece que nem é verdade que ele já está aqui, que está tudo bem e que podemos preparar tudo para sua chegada definitiva.

Por isso, talvez, muitas vezes só quero ficar quietinha e sozinha, gerando a vida e gerando a mim mesma, novamente, como mãe. Deixando a vida crescer e mostrar a que veio, deixando Deus fazer seu trabalho no maravilhoso e misterioso silêncio da natureza.


Benjamin foi um dos filhos de Jacó, um dos patriarcas do antigo testamento, mencionados na Bíblia. Ele nasceu em meio a um momento de muita dor para toda a família. Sua mãe, Raquel, havia morrido logo após seu nascimento. Uma dor sem fim para quem ficou. Especialmente para quem a amava mais do que tudo, como seu marido. Pode parecer trágico escolher esse nome conhecendo uma história tão triste. Mas o mais belo é o seu significado. Jacó escolheu Benjamim, pois significa "filho da minha direita" ou "filho da felicidade". Ele decidiu que aquela nova vida não carregaria o luto, tristeza ou amargura de uma perda. Decidiu que tinha que continuar a ser feliz, e que aquele filho era um presente de Deus para seu recomeço.

Quem já teve que se despedir de um filho por meio da morte talvez entenda que, depois da morte de um filho, a gente morre um pouquinho também. Nunca mais seremos a mesma pessoa. Sempre haverá a falta deste filho tão querido. Mesmo que se tenha uma dezena de filhos, mesmo que a casa esteja sempre cheia, haverá sempre um espaço vazio, no quarto, na mesa, no carro, nos porta-retratos... No coração. Mas é preciso recomeçar, se dar o direito de reaprender a viver e, o mais difícil, reaprender a sonhar.


Nada nunca será mais como antes, e isso às vezes assusta. Mas acho que também renascemos um pouco com o nascimento de um novo filho. Tudo pode voltar também a ser bonito, doce e encantador. Não como uma substituição, não achando que pode ser o mesmo filho, que pode suprir as perdas ou completar o vazio deixado. Não, de modo algum. As cicatrizes de uma perda fazem parte da nossa história, da essência de quem somos e de quem nos tornamos. Ele será nosso segundo filho, igualmente amado, mas que também partilhará da nossa perda, da história de nossa família, que já é marcada por muitas alegrias e também tristezas, e partilhará da nossa esperança em Cristo e no reencontro.

presentinhos dos tios Luiz e Cida

Que ele venha não somente nos consolar, mas também surpreender nosso coração. Que possamos viver novos sonhos juntos, totalmente imprevisíveis, com maturidade, com coragem, com novas descobertas a aprendizados, com a direção e a proteção do nosso Deus. E com muito, muito amor. É tudo que temos. E é tudo que precisamos!

Seja bem-vindo Benjamin, nós já te amamos com todo nosso coração!

Estas fotos são do mês passado, quando passei duas semanas na casa dos meus pais, em Taquara / RS

com minha mãe, Alice, e meu pai, Bruno
com a Milie

Nos fotos acima e abaixo, também alguns presentinhos que ele já ganhou. Hoje me deu muita alegria imaginá-lo já dentro destas roupinhas, pequenino, cheiroso e sapeca envolvido em meus braços.

presentinhos da vovó Alice e das tias Mariana, de São Paulo, e Mariana, de Fortaleza


(Obs. ainda estamos em dúvida se será Benjamin, com n, ou Benjamim, aportuguesado, com m, por enquanto estamos mais propensos à primeira opção!)
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